Luz recebida

Alguns amigos e alunos pediram-me para indicar os autores que exerceram a maior influência sobre minha vida e meu pensamento nos últimos quarenta anos. Se alguma vez minhas palavras comunicaram luz e tocaram vidas, o crédito deve-se em grande parte aos professores maravilhosos que eu tive e aos livros de alguns autores que li. Uma vez que os professores todos já bateram as botas, contento-me em indicar os autores.

Restrinjo a lista a autores de tempos recentes; Platão, Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino ocupam obviamente o topo da lista de influências filosóficas de qualquer pessoa inteligente, assim como os demais autores das assim chamadas Grandes Obras – no drama, história, epopeia e poesia – estarão também pressupostos.

  1. G.K. Chesterton, e em particular, a sua não-ficção. Ortodoxia  e  O homem eterno foram lidos por mim várias vezes e em cada uma delas senti-me totalmente tomado. Seu efeito sobre a mente é nada menos do que tonificante.
  2. Beato John Henry Newman, cujas obras Gramática do assentimentoEnsaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã, e Ideia de uma universidade – com suas visões novas, mas enraizadas, sobre a fé, a história e a educação, respectivamente – marcam ele como um moderno Padre da Igreja.
  3. Hans Urs von Balthasar – suplementado por Agostinho e Tomás de Aquino –, em minha opinião, o maior teólogo dos tempos modernos (glosado e contextualizado por Cyril O’Regan e Aidan Nichols, e, em certos assuntos, saudavelmente ‘chacoalhado’ pelos retoques corretivos do brilhante teólogo ortodoxo, David Bentley Hart).
  4. C.S. Lewis, provavelmente o mais sofisticado apologista cristão do século XX, assim como um guia esplêndido para a literatura pré-moderna. Dois sucessores dignos de Lewis seriam o americano Peter Kreeft e o inglês (recentemente falecido), Stratford Caldecott.
  5. Max Picard: O Mundo do silêncio, O homem e a linguagem, e qualquer outra coisa que se possa encontrar traduzido (ele escreveu em alemão). Um gênio contemplativo pouco celebrado, particularmente fascinado pelos universos infinitos da face humana.
  6. Cornelio Fabro, o único tomista que conheci que conseguiu penetrar verdadeiramente no íntimo da mente de Tomás de Aquino, e depois prosseguir com o mesmo pensamento através dos séculos subsequentes. Não é para os fracos… (Suas obras principais estão sendo finalmente traduzidas para o inglês).
  7. Os frades dominicanos de meados do século XX na Inglaterra, e os seus correlatos tomistas nos Estados Unidos: Thomas Gilby, Victor White (Reino Unido), Vincent Smith, James Collins (EUA); e também os contemporâneos E.L. Mascall, E.I. Watkin, Henry Babcock Veatch. Essas caras jamais nos decepcionarão.
  8. R.C. Zaehner, o melhor estudioso de religiões mundiais que eu conheço, que – porquanto seja um convicto católico convertido– recusa-se a “levantar falso testemunho” com respeito a outras abordagens da transcendência. Sua profunda fé gera um pensamento robusto e aventureiro. Devo incluir também Raimon Panikkar, Wilhelm Halbfass e Huston Smith.
  9. Historiadores: Friedrich Heer, Eric Voegelin, Christopher Dawson: todos estes perceberam que – goste-se ou não – a afirmação ou a rejeição da transcendência prepara o palco para a história, que é feita de escolhas humanas. Tudo o mais é secundário e terciário.
  10. A.K. Coomaraswamy: do meu ponto de vista, o representante mais consistentemente cultivado e penetrante da tradição indiana de língua inglesa, com conhecimento enclopédico e uma potente intuição com respeito à arte, filosofia e religião em todas as suas formas. Pesado na erudição, e talvez com notas de roda pé excessivas, suas intuições são profundas, estimulantes e infindáveis.
  11. Joseph Pieper: o melhor e mais acessível intérprete popular da sabedoria ocidental, na tradição platônica-aristotélica-tomista, especialmente em questões morais.
  12. Norris Clarke and Richard de Smet: dois entre muitos que estão atualmente se especializando na noção ocidental e semítica de pessoa, como o elo final de articulação não só das tradições sapienciais ocidentais, mas também orientais – e mesmo das tradições ágrafas. Essa noção detém a chave às dimensões mais profundas da filosofia perennis – tanto metafisicamente, quanto moralmente e musicalmente.

Incoming Light

Some friends and students have asked me to indicate the authors who have had the greatest influence on my life and thinking over the last forty years. If ever my words have communicated light or touched lives, the credit is largely due to the wonderful teachers I have had and the books of a number of authors I have read. Since the teachers have all gone on to their reward, I am only too happy to indicate the authors. I restrict the list to authors of recent times; Plato, Aristotle, Augustine and Aquinas are obviously on any intelligent person’s top list of philosophical influences, and the rest of the so-called Great Books – in drama, history, epic and poetry – will also be presupposed, and not included in the following list.

  1. G.K. Chesterton, in particular his non-fiction. Orthodoxy and The Everlasting Man I have read multiple times, and each time I am freshly overwhelmed. Their effect on the mind is nothing less than tonic.
  2. Bl. John Henry Newman, whose Grammar of AssentEssay on the Development of Christian Doctrine, and Idea of a University, with their novel but rooted takes on faith, history and education, respectively, bear all the permanent relevance of the writings of a modern Church Father.
  3. Hans Urs von Balthasar – supplemented by Augustine and Aquinas – for my money, the greatest theologian of modern times (helpfully glossed and contextualized by Cyril O’Regan and Aidan Nichols, and, in certain matters, given a healthy shake by an eye-opening Orthodox corrective, courtesy of David Bentley Hart).
  4. C.S. Lewis, probably the most sophisticated Christian apologist of the 20th century, as well as a superb guide to pre-modern literature. For beginners, one might start with The Weight of GloryThe Abolition of ManThe Problem of Pain, and Discarded Image. Two worthy successors of Lewis are the American Peter Kreeft and the recently deceased Brit Stratford Caldecott.
  5. Max Picard: The World of SilenceMan and Language, and anything else you can find in translation (he wrote in German). An unsung contemplative genius, singularly fascinated by the endless universes of the human face. His detailed studies of the face are only in German – what a shame. His Flight from God should be available.
  6. Cornelio Fabro, the only Thomist I’ve found who managed to get truly inside of Aquinas’ mind and then to think his way valiantly through to the 20th century. Not for the faint-hearted. (His main works are finally being translated into English.)
  7. Mid-century Blackfriars in England and correlate Thomists in the USA:  Thomas Gilby, Victor White (U.K.), Vincent Smith, James Collins (USA); also contemporaries E.L. Mascall, E.I. Watkin, Henry Babcock Veatch. These guys never let you down.
  8. R.C. Zaehner, the best surveyor of world religions I know of, who – though a convinced Catholic convert – refuses to “bear false witness” regarding other approaches to transcendence. His deep faith generates robust and adventurous thought. I should also include Raimon Panikkar, Wilhelm Halbfass and Huston Smith.
  9. Historians: Friedrich Heer, Eric Voegelin, Christopher Dawson, all of whom realize that – like it or not – the pursuit or neglect of transcendence sets the stage for history-making human choice.  All else is secondary and tertiary.
  10. A.K. Coomaraswamy: in my view, the most consistently learned and insightful representative of the Asian Indian tradition in English, with encyclopedic scholarship and astute exposition regarding art, philosophy and religion in all their forms. Heavy on erudition and excessively foot-noted, but the insights are deep, bracing and unrelenting.
  11. Joseph Pieper: the best and most accessible popular interpreter of Western wisdom in the Platonic-Aristotelian-Thomist tradition, especially in moral questions.
  12. Norris Clarke and Richard de Smet:  only two of many who are now narrowing in on the Western, Semitic notion of person as the final linchpin in grasping not only Western, but also Eastern – and even non-literate – wisdom traditions in their most metaphysically, morally and musically mysterious dimensions.