Um outro sentido da diversidade cristã

Chinese Cardinal John Tong Hon of Hong Kong joins prayer service

Estamos acostumados a ouvir que a prodigiosa multiplicação de denominações cristãs, sobretudo protestantes – algumas estimativas falam de algo perto de 30.000 – é uma evidência de que os cristãos estão irremediavelmente divididos, confusos e fragmentados. Mas, paradoxalmente, cada uma dessas várias comunidades saúda a volta – em uma ou outra forma – de uma imaginada ‘única Igreja verdadeira’: pode ser um catolicismo pré-Cisma ou pré-Reforma, ou uma Ortodoxia Oriental concebida à moda antiga, ou uma igreja primitiva pura idealizada pelos protestantes. Cada uma delas tipicamente alega que é a igreja verdadeira, mesmo quando se fragmenta ainda mais numa miríade de cismas ou reformas sectárias. Seria ingênuo subestimar o dano que essas divisões têm ocasionado à alegação de que o Cristianismo sustenta um único Evangelho. Contudo, eu sugiro que estejamos deixando de ver uma causa mais profunda dessa proliferação, e que se nos esteja escapando o fato de que, apesar de criar mais e mais ramos em cima, isso revela na verdade uma mais profunda fecundidade nas raízes.fecundity

O Cristianismo, em virtualmente todas as suas formas, se baseia sobre a crença de que um Deus livre e pessoal criou o mundo e o povoou, entre outras coisas, com criaturas livres; e então, quando as liberdades que ele concedeu foram abusadas, interveio – novamente, com um ato livre – num Evento que chamamos de Encarnação (com seus correlatos: Redenção, Crucificação, Ressurreição e todo o resto). Contudo – e isto é importante –, nenhuma teologia cristã tradicional jamais sustentou que Deus tenha coreografado ou programado todas as reações e respostas de suas criaturas a essa intervenção. Ele respeita sua liberdade, mesmo depois desta ter sido abusada, permitindo que suas múltiplas reações e respostas imprevisíveis sejam geradas – com abundante variedade e às vezes até algum caos – nos longos e complexos séculos da história cristã.

Se uma dessas múltiplas igrejas cristãs algum dia conseguir alcançar primazia aos olhos das outras – obviamente, tenho minhas convicções sobre isto, mas não vem ao caso aqui – isto se tornará evidente apenas na santidade dos seres humanos que dela saírem. Não prestemos atenção prioritariamente aos argumentos (com toda a sua importância), nem aos trapalhões e pecadores que surgem em cada tradição, mas olhemos para os santos que esta ou aquela comunidade cristã tem produzido. Pois, qualquer que seja o significado da vasta proliferação de confissões dos seguidores de Cristo, ela pelo menos significa isto: o Evento da Vida, Morte e Ressurreição de Cristo teve um impacto sem igual, fez uma alegação de uma audácia sem-par, e produziu um efeito indelével sobre a imaginação humana. Até mesmo os não crentes parecem incapazes de se manterem livres de sua tenaz influência, como o testemunham a arte secular, a literatura e o cinema. A grande variedade de respostas àquele Evento não chega nem perto de contar como provas da sua ficção; se tanto, é uma demonstração vigorosa de seu caráter gigantesco na história humana e de sua bizarra fecundidade. Pulula com uma vida que não é deste mundo, e continua germinando novos brotos, não porque seja eivado de confusão, mas porque injetou na Criação um Fato tão fecundo, tão indomável, que nós jamais seremos capazes de domesticá-lo .

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Christian Diversity – what does it really mean?

Chinese Cardinal John Tong Hon of Hong Kong joins prayer service

We are accustomed to hearing that the prodigious multiplication of Christian, especially Protestant, denominations – some estimates bring the number close to 30,000 – is evidence that Christians are hopelessly divided, confused and fragmented. But paradoxically, each of these various communities hails back – in one form or another – to an imagined ‘one, true Church’: it may be to a pre-Schismatic and pre-Reformation Catholicism, or to an anciently conceived Eastern Orthodoxy, or to a pristine primitive church idealized by Protestants. Each of them typically claims to be the one, even when they break off into yet more of the myriads of sectarian schisms or reforms. It would be naive to underplay the harm such divisions have done to Christianity’s claim to bear witness to the one Gospel. Still, I wish to suggest that we are overlooking a deeper cause of this proliferation, and are missing the fact that, although it creates more branches on the top, it actually reveals a deeper fecundity in the roots.

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Christianity, in virtually all of its forms, is predicated on the belief that a free and personal God both created a world and populated it with free creatures, and then, when the liberties he had bestowed were abused, intervened – again, as a free act – in an Event we call the Incarnation (with its correlates: the Redemption, the Crucifixion, the Resurrection, and all the rest). However – and this is important – no sustainable, mainstream Christian theology has ever taught that God choreographed, or scripted, all of his creatures’ reactions and responses to this intervention. He respected their freedom even after it had been abused, and allowed their multiple reactions and unpredictable responses to be generated – in all varieties and with occasional chaos – in the long and complex centuries of Christian history.

If one of these multiple Christian churches is ever to successfully maintain its primacy in the eyes of the others – I obviously have my convictions about this, but that’s not the point here – it will only become visible in the sanctity of the human beings it has produced. Don’t look first at the arguments (important as they are), nor at the bunglers and sinners on display in each tradition, but instead look at the holy ones that this or that assembly of Christians has bred. For whatever else the vast multiplication of confessions of those who follow Christ may mean, at the very least it means this: the Event of Christ’s Life, Death and Resurrection was one of unparalleled impact, unequaled audacity of claim and indelible effect on the human imagination. Even non-believers seem unable to shake free of its tenacious hold, as we witness in secular art, literature and cinema. The huge variety of responses to it is not even close to a proof of its fiction; if anything, it is an overwhelming demonstration of its towering profile in human history, and of its uncanny fecundity. It teems with a life that is not of this world, and keeps germinating shoots not because it is afflicted with confusion, but because it has injected into creation a fruitful Fact we will never be able to tame.

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Como encolher e domar o cristianismo

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Eu tenho três queixas contra várias apresentações modernas do Cristianismo, que muitas vezes parecem tentar reduzir aquela grandiosa singularidade histórica a um bichinho de estimação. Os alvos de minhas queixas podem ser designados assim: provincialismo, sentimentalismo e moralismo. O primeiro dá tanto destaque ao costume herdado e ao colorido local, que o papel global do Evangelho é obscurecido (e isso se aplica também a toda resistência exagerada à enculturação para fora da Europa Latina, na qual uma ‘província’ deseja impor-se a outra, tal qual na controvérsia dos ritos entre os jesuítas e o Vaticano na China dos séculos XVII e XVIII); o segundo sobrepõe a emoção ao pensamento, com todas as formas que Ronald Knox chamou de ‘entusiasmo’ em seu livro magistral de mesmo título (por exemplo, excessos litúrgicos de improvisação, exageros carismáticos e músicas e gestos religiosos adocicados); o terceiro põe o rigor moral acima da instrução metafísica e teológica, e especialmente acima daquilo que se deveria seguir à instrução, ou seja, o desenvolvimento da intuição (como quando esperamos que os outros – especialmente os jovens – afinassem suas vidas morais, antes de ouvirem qualquer boa notícia que pudesse incentivá-los a fazê-lo). De fato, o ‘Cristianismo’, para a maioria dos jovens de hoje (e mais ainda o ‘Catolicismo’) – a despeito do fato de termos aqui o mais gigantesco, chocante e revolucionário ensinamento sobre a realidade jamais proferido neste planeta – é encolhido e domesticado pelos referidos alvos da minha crítica, que o consideram tão-somente (e de forma domada e segura): 1) nossas preciosas tradições familiares e locais; 2) algo com que nos conectamos somente quando as emoções fiquem excitadas; 3) uma ladainha de proibições morais, coisas que não podemos fazer nem ser – ponto final. E o pecado, é claro, conecta-se nas mentes dos jovens, quase invariavelmente, a coisas que nos fazem sentir bem, até muito bem. Eles reconhecem as coisas boas e gostosas quando as sentem, e o grande mundo da ‘religião’ parece ter se enganado redondamente em relação aos maravilhosos prazeres que Deus criou.

‘Metanoia’, tal qual gerações de exegetas assinalaram, embora que não seja incorreta a tradução como ‘arrependimento’, o próprio arrependimento é mal entendido se não se analisa cuidadosamente a palavra grega. A ‘mudança’ sugerida pela preposição meta, é do nous, do ‘pensamento’, do modo como entendemos e encaramos a realidade. Para arrepender-se de algo, é preciso ver o que se fez de errado, o que requer por sua vez ver o que é o certo – ou seja, como o mundo realmente é, e como nós, consequentemente (digamos novamente: consequentemente), devemos ser. Por outras palavras, para vermos o que é moralmente certo, precisamos de um entendimento básico do que é metafisicamente verdadeiro. Esperar que nos horrorizemos com o pecado sem sequer vislumbrarmos a beleza do bem, é uma empreitada invertida, típica da religiosidade moderna, e garantido a espantar as pessoas sãs dos bancos da igreja (e, previsivelmente, fazê-las correr para os próximos prazeres disponíveis). As pessoas jovens, que já experimentaram prazeres e alegrias reais em suas vidas, jamais serão persuadidas por um código moral articulado numa paisagem estéril de figuras pálidas sacudindo seus dedos em sinal de proibição. Os jovens são muito astutos para serem assim enganados.

Assim como a filosofia prática tem forçado a filosofia teórica a uma posição defensiva em tempos recentes, da mesma forma a pregação instrucional, o catecismo bem pensado e a teologia doutrinal veem-se intimidadas por posturas moralizantes, ou por músicas litúrgicas agitadas, com as quais as congregações eclesiais tentam compensar, com emoção, o que lhes falta em convicção.

Se as pessoas não ouvem mais falar de um Deus Trino como um Deus-Pai vivo e gerador, e de Cristo como um Filho realmente, e eternamente, gerado (com vida e logos jorrando de dentro), e do Espírito como um amor totalmente e incessantemente em estado de transbordamento; e portanto, a própria Criação como uma efusão de dons provindo dessa fonte de vida que brota sem parar, então um resultado é certo: nossas lições morais ficarão de pé só no discurso, porquanto serão incapazes de subsistir sem o pano de fundo de uma visão teológica de mundo bem construída – a única coisa capaz de lhes dar legitimidade.

Local, emoção e mandamento só fazem sentido para o cristão, e somente ganham corações, quando o lugar se ilumina a partir de um mapa do universal, do global (do ‘católico’); quando a emoção nos move, de forma sim fervorosa e vibrante, mas na matriz estável da vontade (que os Escolásticos chamam de apetite racional); e quando as injunções morais emergem amorosamente, mas logicamente, da metafísica do real.

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How to Shrink and Tame Christianity

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I have three peeves with many modern presentations of Christianity, which often seem intent on reducing that grandiose historical singularity to a domesticated pet. The targets of my peevishness can be named as follows: provincialism, sentimentalism and moralism. There you have it. The venom is on my lips as I pronounce the names. The first puts inherited custom and local color so much into the foreground that the global role of the Gospel is obscured (and this applies also to all unreasonable resistance to enculturation beyond Latin Europe, in which one ‘province’ wishes to impose itself on another, as became an issue in the rites controversy of the Jesuits in China in the 17th-18th centuries); the second puts emotion before thought, all forms of what Ronald Knox termed ‘enthusiasm’ in his masterful book of that title (see liturgical excesses of improvisation, charismatic exaggerations and saccharine, feel-goody religious songs and gestures); the third puts moral stricture before metaphysical and theological instruction, and especially on what should follow on instruction, namely, growing insight (like when we expect folks — especially youth — to get their moral act together before hearing any good news at all that might encourage them to do so). Indeed, ‘Christianity’, for most young people of today (and ‘Catholicism’ even more) — despite the fact that we have here the most gargantuan, shocking and revolutionary teachings about reality ever uttered — is reduced and tamed by the targets of my critique to be only (and quite safely): 1) our precious local, or family, traditions; 2) something we only connect with when our emotions are whipped up artificially; and 3) things you can’t do and things you can’t be — end of story. And sin, of course, is connected in the minds of the young, almost invariably, to things that make you feel good, indeed quite unmistakably good. And young people know good things when they feel them, and the big world of ‘religion’ seems to have gotten it all wrong about the obviously good pleasures God created.

Metanoia, as generations of exegetes have pointed out, is not inaccurately translated as repentance, but even repentance is misunderstood if one does not take a hard look at the Greek word itself. The ‘change’ suggested by the preposition meta, is of the nous, the ‘thinking’, the way we understand and look at reality. To be sorry you must see what you did wrong, and that requires in turn seeing what is right – that is, how the world God created really is, and how you, therefore (say it again: therefore), ought to be. In other words, to see what is right morally, you must have a basic grasp of what is true metaphysically. To expect us to be horrified by sin without even a glimpse of the beauty of goodness is a typical topsy-turvy approach of modern religiosity, sure to send sane people running from the pews (and, predictably, to any immediately available pleasures). Young people, who have already touched real pleasure and excitement in their lives, will never be persuaded by a moral code which is articulated in a barren landscape of pallid faces and wagging fingers. They know better, and they are right.

Just as practical philosophy has edged theoretical philosophy into a defensive posture in recent times, similarly instructional preaching and well thought-out catechism and doctrinal theology find themselves out-gestured by moralizing postures, or by swaying liturgical songfests, where church congregations try to compensate with emotion what they lack in theoretical conviction.

If folks don’t hear more about the Trinitarian God as a generating, living God as Father, and Jesus as a truely generated Son (overwhelming, indeed innerwhelming with life and logos abundant), and the Spirit as a love that is total and forever on the verge of overflowing; and thus the creation as a loving outpouring of gifts from out of that bosom of eternally sprouting life, one outcome is certain: all our prohibitions will rise and fall as we speak them. They are by nature unable to steady themselves without the backdrop of a properly painted theological worldview, which alone can give them warrant.

Locale, emotion and commandment only make sense, and only win hearts, when one’s place shines forth from a map of the universal, the global (the ‘catholic’); when emotion moves, vibrantly and fervently indeed, but within the steady matrix of the will (our rational appetite); and when moral injunction emerges lovingly, but logically, from a metaphysics of the real.

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A estela nestoriana

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Após voltar de Beijing, Monte Tai, Qufu e Harbin no leste da China, tomei um avião para Xi’an, uma das antigas capitais e sede de um enorme projeto de tradução que ensinou o Budismo aos chineses nos meados do primeiro milênio d.C. Eu tinha ido ao Leste Asiático (foi em 2004) para pesquisar o Taoísmo, o Confucionismo e o Budismo chinês in situ, e Xi’an oferecia muito para suplementar aquilo que eu já havia visto em minhas visitas nas regiões do leste. Contudo, após explorar o Pagode do Ganso Selvagem [Wild Goose Pagoda] (lugar daquelas traduções revolucionárias), alguns museus e os fabulosos Soldados de Terracota do primeiro imperador, notei uma curiosa recomendação em meu guia: ‘Floresta de Estelas’. Decidi dar uma olhada.

Muito antes do disco rígido, havia a estela rígida, uma técnica de armazenamento de informação que deve sobreviver ao Google. Era um método empregado por um imperador do século XI para preservar textos importantes, imagens e caligrafias de sua civilização, não em osso, casco de tartaruga, pergaminho, nem na famosa invenção chinesa do papel, mas em textos cinzelados em grandes blocos (estelas) de granito. Enquanto caminhava pela espessa floresta de cerca de 3.000 pedras negras e de uma miríade de caracteres chineses, lembrei-me de Lucas 19, “… até as pedras clamarão”. Aqui o orgulhoso legado da China fez o seu melhor para aproximar-se o mais possível de uma forma de perpetuidade. Porém, ao me aproximar do portão frontal para sair, notei uma grande estela à minha direita que não havia visto na entrada. Eu li o breve título em Inglês: ‘The Nestorian Tablet of the Tang Dynasty’ [‘A Tábua Nestoriana da Dinastia Tang’]. Eu soube depois que os cristãos nestorianos tinham chegado à China não muito depois dos budistas, e que essa estela havia sido confeccionada no século oitavo, mas fora enterrada no século seguinte, durante as perseguições ao Budismo e a outras religiões estrangeiras. Foi desenterrada no começo do século XVII e os missionários jesuítas ajudaram a interpretá-la. Na virada do século XX, esforços da parte de um museu ocidental, a fim de se apropriar da estela, fizeram os chineses agarrarem o artefato e o colocarem longe do alcance de mãos estrangeiras. Puseram-no na ‘Floresta’. Esse lugar logo se tornou um tesouro nacional do povo que chama seu país de o ‘Reino do Meio’, destinado a sobreviver até mesmo à devastação da Revolução Cultural de Mao Zedong nos anos 1966-76. É uma esquisitice da história que essa coleção cheia de pura sabedoria e beleza nativa da China não mostra uma única inscrição budista, mas ostenta galhardamente um documento cristão bem em sua porta de entrada. O Cristianismo atualmente é a religião que mais cresce na China, e se a atual tendência continuar, a China poderá ter a maior população cristã do mundo em 2030 (maior até do que a do Brasil). Não menos do que o monólito fictício de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, a estela nestoriana, que faz parte autêntica da história cristã, pode ter disparado uma genuína mudança na aventura humana.

Christian Debris

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Since I was hired over two decades ago to teach Medieval Philosophy at a secular, Brazilian university, I have had time and resources to plunge deeply into the medieval world. I already knew from my liberal education in the 70s that the Middle Ages were not only not dark, but shone with a light that has been progressively dimmed by the modern world’s gun-smoke and obtrusive technologies. The repeated attempts to erect a Berlin’s Wall between modernity and the medieval – on literary and artistic grounds in the 14th and 15th centuries; on religious grounds in the 16th; on scientific grounds in the 17th; and on deistic and atheistic grounds in the 18th – have all faltered as everything that is good and truly forward-looking in modern ways has been shown to be inseparably rooted in that medieval millennium once termed backward.

The idea of a human person and human rights, practically unknown in Antiquity, arises coherently from the very logic of Biblical revelation and passes, link by link, from Christian-inspired arguments against human slavery (the first ones really known to history), to today’s arguments regarding the death penalty, or humane treatment of prisoners, or the rights of human beings between conception and birth, minority rights, and so on and so forth. None of this would have made sense in a mechanistic world defined only in Cartesian and Newtonian terms. The lingering logic of Christian thought kept these principles alive, but as its influence has been progressively eroded by secularism, we are left with our mechanistic universe (or whatever version of it mandated by current dogmas of scientism), and the logic gets looser and looser, destined finally to yield to the pragmatic demands of the moment. Whatever we cannot quantify and measure appears increasingly unreal. And since we cannot photograph the person in the human embryo, we can purge it like a parasite if it gets in the way of our plans. It will only be a matter of time before we return to the custom of the ancient world, and dispose even of babies already born if they happen to be ugly, deformed or of undesired gender (the recent history of China is a sad witness to this).

Quite ironically, the public’s justified indignation over sexual abuse of children and minors by Christian clergy could hardly gather steam without the surviving ethos of the Christian idea of intrinsic human dignity. Even though secular thought might lead us to doubt that dignity when we look around at our ravaged adult faces, full of deceit and duplicity, the otherworldly beauty that still shines forth from the faces of the young holds our naturalistic reductions in check – at least, for the time being.  We deem ourselves enlightened, fancying that we have built up a coherent modern edifice of rights and freedom courtesy of recent progress in the sciences, when in fact we mortar up the more humane features of that edifice using flotsam from shipwrecked Christendom. Only sentiment and romantic nostalgia keep them intact for the present; the logic of secularism will ultimately demand their elimination.