A diferença entre diferença e ‘diversidade’

Alguém disse ‘paradoxo’? E que tal isso: para ser diferente de algum modo, é preciso primeiro ser o mesmo. Mas outro paradoxo é mais estranho ainda: aqueles que hoje em dia pregam interminavelmente a importância de ser ‘diverso’, com mais frequência do que se pensa, acabam por produzir mais e mais do mesmo. Sei que isso soa estranho, mas pense um pouco. Aqueles verdadeiramente interessados em serem diferentes começam necessariamente com um ‘mesmo’, com uma identidade tradicional estabelecida, para depois abrirem toda uma cauda de pavão de diferenças, sem, sequer por um momento, desprezar a estabilidade com que começou; não é um jogo de soma zero. Os apologistas da diversidade, ao contrário, começam com as diferenças para, em nome do pluralismo e da igualdade, eliminá-las progressivamente, produzindo homogeneidade. O fato que aqui passa despercebido é que o diferente verdadeiramente pressupõe uma identidade ou uma semelhança, sobre a qual se ergue a diferença dentro de uma estrutura pré-existente, e sem a qual a diferença mesma (trocadilho interessante!) se desvaneceria, sumindo num fundo cinza.

Os proponentes da atual moda da ‘diversidade’ (seja de gênero, cultura, expressão ou qualquer outra coisa) ironicamente desencadeiam forças e movimentos que muitas vezes apagam ou borram as diferenças naturais e tradicionais, gerando uma uniformidade obrigatória, usualmente sob o título de ‘políticamente correto’. E isso ocorre mesmo quando camuflado em pantomimas de fingida originalidade e exibido em melodramáticas poses de ousadia. Não posso dizê-lo mais claramente, mas posso oferecer alguma explicação.

[Estou deixando de lado reflexões mais sutis sobre as relações entre a diferença e o significado na linguagem – em de Saussure, por exemplo –, e sobre o interessante, mas estranho, neologismo francês différance [sic], vou defirir (como se deve) para Derrida. No lugar disso, meu foco aqui é no modo como pessoas normais e não acadêmicas usam as palavras. Porém, farei um ou outro aceno à filosofia clássica, que é, de certa forma, saudavelmente não-acadêmica].

Se pararmos e pensarmos por um momento, perceberemos que não usamos a palavra ‘diferente’ sobre coisas ou atos que são, por assim dizer, mundos à parte. Coisas que diferem entre si devem ser comparáveis. Ninguém comentará o quanto um cão labrador é diferente do buraco negro Cygnus X-1, ou sobre a impressionante diferença que existe entre assoar seu nariz e planejar uma viagem para a Europa. Na classificação tradicional das coisas (mesmo na tarefa cotidiana de colocar as coisas em ordem), nós normalmente precisamos, em primeiro lugar, do que se costuma chamar de ‘gênero próximo’, antes de podermos invocar uma ‘diferença específica’; esses dois permitirão à mente isolar uma ‘espécie’ mais definida (não num sentido biológico, mas lógico; podemos também usar aquela palavra que se tornou uma palavra ‘sórdida’ na filosofia contemporânea: ‘essência’).

Um labrador pode apenas diferir de um collie porque ambos são cães; e um cão pode diferir de um gato porque ambos são mamíferos quadrúpedes; e um quadrado de um triângulo porque ambos são figuras. E (é hora de polêmica), um homem de uma mulher porque ambos são seres humanos. Não se pode apenas ser ‘animal’, é preciso ser algum tipo de animal. Não há algo como uma figura pura: tem de ser uma oval, um quadrado ou um triângulo etc. para ser uma figura. Você não pode ser um humano híbrido; tem de ser um homem ou uma mulher para ser minimamente humano (as raras exceções serão vistas em seguida).0_CATERS_HALF_MAN_HALF_WOMAN_MAKE_UP_01-800x498

As diferenças, numa palavra, estão enraizadas na natureza, ou numa ordem natural das coisas. Descobrimo-las com nossas faculdades cognitivas (nossos sentidos e nossa razão), e apesar de podermos, no curso normal das coisas, reagir a elas com nossas funções apetitivas (emoções e vontade), estas não constituem as diferenças, e nem poderiam. De fato, o lado apetetivo nosso nem podería reagir às diferenças se as constituissem.

O traço curioso dos sermões seculares recentes em louvor à ‘diversidade’ é que eles tipicamente apagam impunemente as mais conspícuas e manifestas diferenças, cobrindo elas com chavões que apelam aos apetites de muitos, mas à inteligência de ninguém. Não acho que isso seja sempre tão inocente. Nas campanhas sociais mais ferventes, há razões ocultas por trás dos slogans simplistas e das gesticulações frenéticas. Os filósofos podem meditar no topo de suas montanhas, mas as correntes de seus pensamentos mais cedo ou mais tarde fluem para baixo, para nós no vale do cotidiano.

Duas correntes filosóficas de grande ímpeto nasceram no afligido século XIV. Foi uma época rica em mística, poesia, alguns avanços na lógica e na filosofia da linguagem, e notáveis projetos pioneiros no moderno método científico, mas pobre em projetos abrangentes de filosofia e teologia. O cenário estava maduro para o surgimento de um par de ideologias, que se tornariam favoritas da modernidade. Essas duas correntes com frequência andam juntas, como faz a maioria das ideias ou sistemas que pretendem dar conta tanto das dimensões cognitivas quanto das apetitivas da existência humana. Afinal de contas, se elas quiserem tratar da realidade humana em termos integrais, terão de ter algo a dizer sobre a teoria e a prática, sobre o conhecimento e a ação, a verdade e o amor.

allObjects(Para entender o que segue, dê uma olhada a qualquer conjunto aleatório de coisas ao seu redor.) A primeira dessas correntes é usualmente chamada de nominalismo. Foi a vencedora de um longo debate medieval sobre a natureza da universalidade no modo como usamos os conceitos e as palavras. O mundo medieval viu longos esforços de intuição e raciocínio, cultivados nos prolíficos séculos dos estudos gregos, árabes e latinos sobre o conhecimento humano. Infelizmente, os debates multiplicaram-se – especialmente após o fim do século XIII – muito além de um florescimento saudável. Boa parte do escolasticismo subsequente cresceu menos como uma árvore saudável no sol, e mais como uma planta esquecida no porão, grotescamente ramificada e com uma palidez pastosa. Depois de Alberto, Tomás e Boaventura terem erguido a Escolástica latina às suas maiores visões sinópticas (múltiplas, mas não incompatíveis), o século seguinte olhou para outros lados. Mas, também, a lentidão na absorção da profunda metafísica de Tomás de Aquino deixou o mundo erudito mergulhado em assuntos mais mundanos e práticos (afinal, aquele foi o século da Peste Negra e de grandes deslocamentos demográficos). Entre esses assuntos: as vantagens advindas do descarte das aspirações ‘essencialistas’ e de encarar as coisas como objetos basicamente diversos e heterogêneos, querendo apenas serem usados. Isso logo se transformaria numa nova abordagem do entendimento do mundo à nossa volta, e uma forma de pegar nele e usá-lo.

Coisas com as suas naturezas passaram a ser vistas não mais como realidades sustentadas por estruturas internas que participam – imperfeita, mas robustamente – nas Ideias arquetípicas na mente de Deus, mas, ao contrário, como objetos individuais, brutos e irredutíveis, necessitando da atividade criativa de nosso intelecto para tangê-los aos ‘pombais’ construídos por nossa própria mente, para fazermos deles o que quisermos. A diversidade individual jogou fora as essências universais, mas ao mesmo tempo seduziu-nos a manuseios práticos e cada vez mais técnicos e intervencionistas. As diferenças entre as coisas individuais foram destacadas, cada vez mais, de seus alicerces essenciais, os quais até então haviam mostrado seus traços comuns e sua integração com o resto do cosmos. Esses objetos órfãos vagaram, por assim dizer, em busca de significado, tentando mostrar sua aptidão para novas ocupações (como mercenários tentando ser recrutados). Os nominalistas sugeriram que faríamos melhor em apenas encontrar nomes úteis para esses objetos, e então nos ocuparmos com o assunto mais sério de encontrar o melhor meio de usá-los.

No século XIV, já estava nascendo uma visão subjetivista e construtivista acerca das cogitações mentais, e a maioria dos filósofos subsequentes e antecipadores da modernidade seria também nominalistas (usassem ou não este termo). Contudo, a mente sempre se move pari passu à vontade. Concomitantemente ao nominalismo, aparece uma ideologia que, como era de se esperar, lhe serve logicamente muito bem WILL-POWER-Custom-Custom1como companheira. Se as coisas não têm essências as quais a mente possa apreender universalmente em seus exemplos individuais (ambas – essências e mentes – enraizadas, em última instância, no Logos divino, arquetípico e exemplar), nem há qualquer ‘âncora’ realista da entidade com as quais os conceitos, juízos e raciocínios mentais possam ser medidos; e se Deus é visto como sendo, na verdade, mais e mais como um artesão caprichoso cuja Vontade onipotente é a fonte não apenas da existência das coisas, mas também das suas essências (na visão tradicional, era o Inteleto Divino que ‘causou’ as essências); então, a vontade humana acaba por interpretar tudo isso como uma nova permissão para atacar e manipular esse mundo constituído em última instância por coisas diversas e isoladas, segundo os mandatos da própria vontade humana. Essa prioridade da vontade sobre a mente, do poder sobre a razão, do capricho sobre a Providência, é tradicionalmente chamada de voluntarismo.

Muita tinta já correu sobre esse tópico e não tenho a intenção de ‘chover no molhado’ aqui. Apenas sugerirei que a linha que conecta essas duas convicções ideológicas – nominalismo e voluntarismo – com a maioria das criações distópicas do mundo moderno é mais grossa do que se pensa: na ordem econômica e política, com o Socialismo Nacional (os nazistas) e o Socialismo Internacional (soviético ou maoísta), no qual os indivíduos tornam-se joguetes dispensáveis num idealizado programa de aperfeiçoamento); na cultura, com o consumismo que esmaga todos os critérios de beleza e até de utilidade (imagine os consumidores pensando avidamente sobre qual marca escolher, dentre uma seleção virtualmente infinita de cereais matinais); nas ordens científica e tecnológica – o casamento desses dois adjetivos foi em si mesmo uma consequência das forças aqui em pauta – nas milhares de ogivas nucleares precariamente posicionadas, que o nosso mundo moderno produziu, mas não tem a menor ideia como controlar; e tristemente, em nossos belos oceanos, cada vez mais atulhados de garrafas e sacos plásticos.

Um desenvolvimento mais modesto e comedido da ciência e da tecnologia, mantendo a maioria de seus inegáveis benefícios, tornou-se impossível, com esses dois motores filosóficos roncando ao fundo. Eles não permitiram quaisquer pesos e contrapesos sobre o desejo voluntarista do homem de manipular indiscriminadamente o mundo material – um mundo não mais amparado pelo respeito perante a irradiação das suas essências. Não poderíamos mais ler a eloquente linguagem simbólica com que o universo falava em tempos mais sãos, mas, ao invés disso, este passou a ser visto como se apresentando ‘de bom grado’ – diríamos até ‘promiscuamente’ –, tal como uma massinha de modelar nas mãos caprichosas dos modernos tecnocratas.

Um fruto mais recente do nominalismo e do voluntarismo, mas ainda logicamente atrelado a eles, é a confusão entre diferença e ‘diversidade’, com a qual comecei. Embora esse turbilhão conceitual passe por múltiplas dimensões do pensamento contemporâneo, ele é mais palpável e destruidor ao depreciar e erodir a evidência científica em todos os níveis: genético, hormonal, cromossômico, cerebral e psicológico – sem falar do testemunho avassalador do corpo humano – qual seja, a de que o homem e a mulher são muito diferentes, e de que essa diferença é dada, não produzida. E, além do mais, essa diferença é profundamente enraizada na única natureza compartilhada por eles.

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Como todas as coisas evidentes, quando se começa a discutir sobre elas, o discurso torna-se obscuro e você acaba perplexo – não porque a matéria seja em si obscura, mas porque, quando o raciocínio se intromete naquilo que é intelectualmente intuitivo, usa-se o instrumento errado; a luz natural gradualmente se enfraquece na presença de um agente estranho (algo como o abater das luzes de um cinema, quando o filme vai começar). A razão nada tem de bom a fazer onde a intuição intelectual atua plenamente. Não se precisa provar aquilo que já se sabe, nem buscar ou procurar minuciosamente por aquilo que já se vê. É a ferramenta errada. É como fazer uma pintura com um violino, ou dirigir um carro colocando uma bicicleta no assento do motorista. Não é apenas um abuso do instrumento, é ineficaz para se atingir o objetivo em pauta.

Além do mais, ao misturarem-se faculdades heterogêneas, cria-se uma desnecessária ansiedade. Há uma experiência análoga, que todos experimentamos ao respirar. Em princípio, precisamos respirar automaticamente, sem que nossa consciência racional se dê conta de cada inalação e exalação; quando, porém, direcionamos nossa atenção para a respiração em si (a menos que se tenha uma boa razão, por exemplo, no consultório médico ou numa meditação controlada), ela subitamente se torna difícil e podemos até mesmo experimentar certo pânico. Assim acontece com as questões evidentes. Nós apreendemos natural e instintivamente – mesmo quando somos crianças pequenas – que há uma vasta e maravilhosa diferença entre o homem e a mulher, entre sua mãe e seu pai; e simultaneamente nos damos conta de que essa mesma distinção se delineia a partir de uma apreensão, igualmente intuitiva, acerca da natureza idêntica dos dois. Eles podem ser diferentes (em sexo ou gênero), porque são o mesmo (em natureza). Esse insight infantil faz jorrar um monte de implicações filosóficas.

A ciência dá sua chancela ao instinto infantil. Ela é unânime em medir e descrever essa diferença como irredutível (não que os propaladores da diversidade se preocupem com isso!). Quando ocorrem casos excepcionais – por exemplo, em casos relativamente raros de inter-sexualidade ou disforia de gênero – estes são vistos, em termos médicos, precisamente como exceções, e os que têm tais condições devem ser tratados como o mesmo respeito com que se trata qualquer pessoa excepcional. São ‘exceções que confirmam as regras’, como se diz por aí – elas não constituem a regra, nem criam uma nova regra. Casos limítrofes e ambiguidade sexual chamam bastante a atenção para o fato de que nossa natureza humana comum, em última análise, realmente transcende as diferenças sexuais, e que esses indivíduos excepcionais são como lembretes da natureza de que há mais em nosso destino do que simplesmente ser macho ou fêmea. Os cristãos veem seu destino último, no final das contas, como um estado em que o casamento, e por implicação a identidade sexual, não mais desempenharão o papel que desempenham aqui em baixo (Mt. 22,30). Logo, não é o caso de insistirmos, desmedidamente, sobre a diferença entre os sexos.

Mas, cristãos ou não, ainda estamos vivendo cá embaixo. E para além de todas as dimensões variáveis da nossa personalidade, nosso estilo, sentido de moda, habilidades adquiridas, condicionamento físico ou treinamento nisto ou naquilo – em resumo, em todas as coisas que se colocam em alto grau sob a soberania de nossas vontades –, há outras dimensões que recebemos da natureza, e do Deus da natureza, as quais se situam além do alcance mesmo de uma vontade das mais decididas. Salvo naqueles casos raros e claramente excepcionais de ambiguidade sexual, não pode estar sob o domínio da sua vontade determinar – para sempre, nem por uma temporada – que você seja um homem, tendo nascido mulher, ou vice-versa. Dizer o contrário disso é negar as distinções da natureza e produzir uma identidade confeccionada pela arte: a arte da diversidade. Dado que a ciência não ajudará os prosélitos da diversidade, eles previsivelmente apelam para a arte. Faça-se você mesmo!

Note que as palavras ‘diversidade’ e ‘diversão’ são – não sem sérias implicações – relacionadas. Qualquer diversidade imperial e voluntarista (que dê à nossa vontade a última palavra sobre quem ou o quê nós somos) é mera diversão, um tipo de encenação adolescente: uma espécie de farsa teatral promovida por uma vontade que deseja reinar sobre a natureza. Tudo o que conseguimos com isso é a pretensa esperança de viver uma existência absolutamente singular, irredutivelmente concreta, totalmente original: ser uma pessoa auto-construída não pertencente a qualquer espécie, não sujeita a qualquer lei natural e que decide não apenas o que deve fazer ou qual papel desempenhar na sociedade, mas o que é ontologicamente.

The Difference between Difference and ‘Diversity’

Paradox, anyone? How about this: In order to be different at all, you first have to be the same. But another paradox is even stranger: those who today preach interminably about the importance of being ‘diverse’ more often than not end up producing more and more of the same. Sounds strange, but think about it. The former – those truly interested in being different – begin necessarily with sameness, with an established traditional identity, and then unfold within it a peacock’s tail of differences, and without for a moment detracting from the sameness; it is not a zero-sum game. The apologists for diversity, in contrast, begin with differences, and then in the name of pluralism and equality, progressively mow them down, producing  homogeneity. The overlooked fact is that the truly different presupposes an established sameness, upon which it builds within an already present structure, and without which its very difference would fade into a pastel background and vanish.

The proponents of the current fad of ‘diversity’ (whether of gender, culture, expression, whatever) ironically set forces in motion which only too often erase or blur natural and traditional differences and generate an obligatory uniformity, usually under the rubric of ‘political correctness’. And this happens even when it is deceptively camouflaged in party masks of faux originality and melodramatic poses of boldness. I can’t say it any more clearly than that, but I can provide some explanation.

(I am leaving to one side more recondite ruminations on the relationships between difference and meaning in language – in de Saussure, for example – and, on the subject of the weird but interesting French neologism différance, I defer – as defer one must – to Derrida. I am concerned here instead with how normal, non-academic people use the words. Still, I will give a nod or two to classical philosophy, which is refreshingly non-academic anyway.)

If we stop and think for a moment, we will realize that we don’t use the word ‘different’ about things or acts that are, so to speak, worlds apart. Things that differ have to be comparable. No one will comment on how different a labrador retriever is from the black hole Cygnus X-1, or what an impressive difference lies between blowing your nose and planning a trip to Europe. In traditional classifications of things (even in the more day-to-day business of putting matters in order), we normally need, first of all, what used to be called a ‘proximate genus’ before we could invite a ‘specific difference’; these two then allow the mind to isolate a more definite ‘species’ (not in the biological, but in the logical sense; we could also use the word which has become a naughty word in contemporary philosophy: ‘essence’).

A labrador retriever can only differ from a collie because both are dogs; and a dog can only differ from a cat because both are quadruped mammals; and a square from a triangle because both are figures. And (time to get polemical) a man from a woman because both are human beings.  You can’t just be ‘animal’, you must be some kind of animal. And there is no such thing as a pure figure: it has to be an oval, or a square, or a triangle, etc. in order to be a figure at all. And you can’t just be a hybrid human; you must be a man or a woman in order get a hold on humanity at all (the rare exceptions we will address presently).0_CATERS_HALF_MAN_HALF_WOMAN_MAKE_UP_01-800x498

Differences, in a word, are rooted in nature, or in the natural order of things. We discover them with our cognitive faculties (our senses and reason), and though we may, in the normal course of things, react to them with our appetitive functions (emotions and the will), these do not, and cannot constitute them. In fact, they could hardly even react to them if they did.

The curious feature of recent secular sermons in praise of ‘diversity’ is that they typically whitewash over blatant and manifest differences with impunity, plastering them over with buzz words that appeal to the appetites of many but to the minds of none. I do not think this is always unintentional. As in most fervent social campaigns, there are reasons somewhere behind the simplistic slogans and gestures. As always, the philosophers may cogitate for decades on their academic mountaintops, but the streams of their ponderings sooner or later flow down to the rest of us in the valley.

Two philosophical currents of great thrust were born in the afflicted 14th century. Those hundred years were great for mysticism, poetry, some advances in logic and philosophy of language, and notable inaugural projects of modern scientific method, but hardly for philosophy and theology as overarching projects. It was ripe for a couple of modernity’s favorite ideologies. These two currents usually go hand in hand, as do most ideas or systems that wish to address both the cognitive and the appetitive dimensions of human existence. After all, if they are to address human reality comprehensively, they must have something to say about both theory and practice, knowledge and action, truth and love.

allObjects(Look around at the nearest hodgepodge of things, and you’ll be primed for the following.)

The first of these currents is usually called nominalism. It was the victor in a long medieval debate over the nature of universality in the way we use concepts and words. The medieval world saw long labors of intuition and ratiocination, cultivated in prolific centuries of Greek, Arabic and Latin examination of human knowing. They finally, unfortunately, pullulated wildly more than they flourished healthily after the close of the 13th century. Much subsequent scholasticism grew less like a healthy tree in the sun, and more like a plant left to grotesquely ramify with pasty palour in the cellar. After Albert, Thomas and Bonaventure had lifted Latin Scholasticism to its greatest synoptic visions (multiple but not incompatible), the following century looked elsewhere. But also, the slowness in absorbing Aquinas’ metaphysical profundity left the erudite world to ponder more mundane and practical matters (this was the century, after all, of the Great Plague, and of huge population shifts). Among them: the advantages to be drawn from dropping ‘essentialist’ aspirations and seeing things basically as diverse, heterogeneous objects to be used. This soon became a tempting new approach to understanding the world around us, and to taking hold of it.

Things with their natures came to be seen no longer as realities upheld by indwelling structures participating imperfectly but robustly in the archtypal Ideas in the mind of God, but instead as brute, irreducible individual objects in need of our intellect’s creative work of corralling them into artificial pigeon holes of the mind’s own making, and then doing with them as we pleased. Individual diversity elbowed out universal essences, but at the same time seductively invited practical, and ever more technical interventions. The differences between individual things got cut loose, more and more, from their essential bedrock, which till then had displayed their commonality and their integration into the rest of the cosmos. These orphaned objects wandered about, as it were, looking for meaning, and showed off their strengths for new occupations (like athletes trying to get recruited). The nominalists suggested we simply make do with finding useful names for them – Chesterton said that nominalism holds things to be too different to be classified, so we can only label them – and then get on with the serious business of finding out how best to use them.

Even in the 14th century, the advent of a subjectivist, constructionist view of the mind’s cogitations is already on display, and the majority of subsequent, trend-setting modern philosophers will be nominalists as well (whether or not they use the term). However, the mind always moves in tandem with the will. A companion ideology simultaneously, and predictably, appears as nominalism’s logical mate. If things have no essences which the mind can universally grasp in their individual instances (both WILL-POWER-Custom-Custom1rooted, ultimately, in the exemplary, archetypal divine Logos), and thus no realistic ‘anchor’ of entity by which to measure the mind’s concepts, judgments and reasonings; and indeed, if God Himself is seen, more and more, as the almost whimsical Craftsman whose omnipotent Will is the source of things not only being there, but also being what they are; then, the human will is bound to interpret this as giving it new warrant to attack and manipulate that world of utterly diverse things, and to do so according to the mandates of its own wanting. This prioritizing of will over mind, of power over reason, of whim over providence, is traditionally called voluntarism.

Much ink has already been spilt over this topic and I have no intention of belaboring it here. I will only suggest that the line is thicker rather than thinner that connects these two ideological convictions – nominalism and voluntarism – with most of our greatest modern dystopic creations:  in the political and economic order, with National Socialism (the Nazis) and International (Soviet and Maoist) Communism – in both of which individuals become dispensable pawns in a humanly devised program of perfection; in culture, with a consumerism that finally drowns out all criteria of beauty and even utility in a quantitative deluge of gadgets and manufactured needs (with buyers pondering earnestly over what brand of  a virtually infinite selection of breakfast cereals or pollutant coffee pods to buy); in the scientific/technological order – the marriage of these two adjectives is itself a consequence of the forces under discussion – in the thousands of precariously poised nuclear warheads our modern world has produced but has no idea how to control; and finally, sadly, in our beautiful oceans increasingly choked with plastic bags and bottles.

A more modest and measured development of science and technology, maintaining most of their indisputable benefits, was made impossible by these two philosophical engines humming in the background. They brooked no checks and balances on the voluntaristic will of man to reach indiscriminately into a material world no longer safeguarded by a radiance of inner natures. We lost the ability to read the eloquent symbolic language that the universe spoke in saner times, and instead learned to view it as presenting itself ‘willingly’, even promiscuously, as an indifferent materia prima in the capricious hands of modern technocrats.

A more recent, but still logically coherent, fruit of nominalism and voluntarism is precisely the confusion between difference and diversity I began with. Although this conceptual turmoil passes through multiple dimensions of contemporary thought, it is nowhere more palpable, and more devastating, than in the downplaying and eroding of what is scientifically evident on genetic, chromosomal, hormonal, cerebral and psychological levels all at once – not to mention the overwhelming testimony of the human body – that is, that man and woman are very different, and that this difference is given, not produced. And furthermore, that it is a difference deeply rooted in the one nature they share.Man-Woman-Control-Panel

Like all things that are evident, when you start arguing about them, the discourse gets murky and we end up perplexed – not, mind you, because the matter itself is murky, but because when ratiocination intrudes upon the intellectually intuitive, the wrong instrument is at work and native light slowly darkens in the presence of an alien agency (something like the dimming of the theater lights when a movie begins). Reason has no real work where intellect is fully in deployment. You needn’t prove what you already know, or look and search assiduously for what you already see. It’s the wrong tool.  It’s like trying to paint a painting with a violin, or to drive a car by putting a bicycle in the driver’s seat. It not only abuses the tool, it also frustrates the objective at hand.

Furthermore, by mixing heterogenous faculties, it creates unnecessary anxiety. There is an analogous situation we all experience in breathing. We ought to breathe, in principle, automatically, without our rational consciousness attending to each breath; when we do direct our attention to respiration as such (unless we have good reason as, say, in the doctor’s office or in controlled meditation), it suddenly turns arduous and we can even get slightly panicky. So it happens with matter-of-course evidences. We naturally and instinctively pick up – even as small children – that there is a vast and wonderful difference between a man and a woman, between your mom and your dad; and we simultaneously pick up that that very distinction is outlined against an equally intuitive grasp of their identical nature. They are able to be different (in sex or gender) because they are the same (in nature). This childhood insight is virtually bursting with philosophical implications.

And science gives its own vindication of every infant’s instinct. It is unanimous in charting and measuring this difference as irreducible (not that the purveyors of diversity could care less). When exceptions occur – for example, in the relatively rare cases of inter-sexuality or gender dysphoria – they are medically viewed precisely as exceptions, and those who bear such conditions should be treated with as much respect as any other exceptional person. Exceptions prove the rule, as the saying goes – they do not constitute the rule, or create a new rule. Borderline cases and sexual ambiguity do draw attention, however, to the interesting fact that our common human nature does, in the final analysis, transcend sexual differences, and such exceptional individuals are like nature’s reminder that there is more in our destiny than just being male or female. Christians view their ultimate destiny, after all, as one where marriage, and by implication sexual identity, will no longer play the role they do here below (Mt. 22,30). So we should all relax about getting too insistent, in an exaggerated sort of way, about our masculinity or femininity.

But Christian or not, we are all still living here below, where femininity and masculinity structure our world in all sorts of salutary ways. And beyond all the dimensions of our personality, our style, our fashion sense, our acquired abilities, our bodily fitness and our training in this or in that – in short, all those matters which lie to a large degree under the sovereignty of our wills – there are other dimensions we receive from nature, and from nature’s God, which lie beyond the behest of even the most resolved human will. Except for those very few and clearly exceptional cases of sexual ambiguity, it cannot lie under the power of the will to determine – forever, or even for a season – that you are a man when you were born a woman, or vice versa. To do so is to deny the real distinctions of nature and produce an identity fashioned by art: the art of diversity. Since science won’t help the evangelists of diversity, they predictably turn to art. Make yourself!

And do note, the words ‘diversity’ and ‘diversion’ are – not  without serious implications – related. Any imperial, voluntarist diversity (giving our will the last word on who and what we are) is mere diversion, a kind of adolescent play: a theater of pretending, promoted by a will that wishes to lord it over nature. Thus, what we are offered is the pretentious hope of living out an existence that is utterly singular, irreducibly concrete, totally original: being a self-made person who belongs to no species, submits to no natural law and decides not only what it shall do or what role in society it shall play, but what it ontologically is.