Apontando e vendo juntos

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Todos os bebês apontam sem treinar. Mãe alguma precisa instruir seu filho a estender seu pequeno dedo indicador e a dirigi-lo a um objeto. Eles fazem isso sozinhos e esta, assim como falar e andar, é uma das conquistas que checamos em nossa lista, quando a criança abre-se ao mundo à sua volta. Vem antes da linguagem e, na verdade, a linguagem deixaria de ‘chegar ao ponto’, por assim dizer, se aquele gesto soberano não apenas a precedesse, mas o acompanhasse permanentemente. Estudos recentes mostraram que a mente do bebê não está apenas tendo interesse pessoal nos objetos para os quais ela aponta, mas está também se oferecendo às outras pessoas para contemplar ou ouvir junto aquilo que despertou a atenção. Uma vez adultos, quando vemos algo de que gostamos, ou até algo que nos cause medo, um de nossos primeiros impulsos é chamar a atenção de alguém, para que não apreciemos ou temamos em isolamento. De fato, há algo de social na sensação. Recordo-me de uma maravilhosa passagem na literatura medieval – creio que no Comentário de Macróbio sobre o Sonho de Cipião (de Cícero), mas não consigo pôr o dedo nele agora –, em que alguém que, tendo ascendido às maiores alturas dos Céus, vê as gloriosas vastidões da Criação bem diante de seus olhos e faz uma observação reveladora. Ele diz o quão enormemente triste seria ter a graça de contemplar tão esplêndida série de maravilhas, sem ter com quem compartilhar isso tudo. O bebê sorridente pode apenas estar apontando para seu pai fazendo uma careta, mas seu dedo indicador já está visando às estrelas.

Pointing and Seeing Together

All babies point without training. No mother need instruct her infant to extend its tiny index finger and direct it at an object. They do it on their own, and like talking and walking, it’s one of the accomplishments we check off our list as the child opens up to the world around it. It comes before language, and indeed language would lose its whole point, as it were, if that sovereign gesture did not only precede it, but forever accompany it. Recent studies have shown that the baby mind is not just taking personal interest in the objects it points to, but is bidding others to join it in beholding or hearing what has caught its attention.  As adults,  when we see something we like, or even something we fear, one of our first impulses is to point it out to someone else, lest we like or fear in isolation. There is something social about sensation. I recall a wonderful passage in medieval literature – I believe in Macrobius’ Commentary on the Dream of Scipio (of Cicero), but I am unable to put my finger on it – where someone who has ascended to the highest reaches of the heavens and sees the glorious expanse of the creation before his eyes, makes a telling observation.  He says how abysmally sad it would be to have the grace of beholding such a splendid array of marvels, but having no one to share it with.  The smiling baby may just be pointing at his father making a face, but his finger is already aimed at the stars.